4 de junho de 2012

Platéia II

Às vezes eu queria que houvesse uma maneira de existir sem me pesar.
Ser e não doer.
Ter sem pecar.
Mas se nem mesmo acredito no pecado, não tenho culpa cristã.
Sou fragmentos do não-ser mal escolhidos.
 Meus impulsos podados resultam em um animal pequeno e amuado, que se esconde e se protege sem nem saber do quê.
Que essa solidão me dói é nítido: vê-se nos olhos caídos que o sorriso não disfarça, a lágrima recorrente que a maquiagem não segura.
  Percebe-se no meu discurso, essa tentativa falha de expressar com voz o que só sei dizer no papel.
Não lido bem com plateias, preciso entender.
Preciso aprender a me calar como forma de falar.

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